Por Que Travamos Decisões Mesmo Quando Sabemos o Que Fazer? Reflexões de Dois Webinars sobre Tomada de Decisão
- Bernhard Smid
- 5 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de jun.
Antecipando o lançamento do livro “Tomada de Decisão em Contextos Complexos,” foram realizados alguns webinares sobre o tema, sendo que eu tive a oportunidade de participar de dois deles. Foi uma excelente oportunidade de conectar a teoria desenvolvida no meu capítulo do livro com a prática do dia de quem atua em ambientes institucionais complexos.
O webinar mais recente, coordenado pelo IRELGOV, e o segundo pela Quantum Criativo, trouxeram provocações práticas e complementares sobre um desafio central: por que as decisões frequentemente travam, mesmo quando temos clareza técnica e sabemos o que deve ser feito?
No meu capítulo “Tomada de Decisão em Ambientes Multiculturais”, abordo como diferenças culturais e de múltiplos stakeholders geram ruídos que vão além dos dados e análises técnicas. Os dois eventos permitiram conectar essa visão teórica com a realidade do dia a dia corporativo e institucional.
1. Webinar IRELGOV – “Tomada de Decisão e Stakeholders”
Neste painel, mediado por Patrícia Nepomuceno (Presidente do IRELGOV na gestão 2025-2026), ao lado de Maria Aparecida de Almeida Santos e Adriano Bandini, o foco foi a complexidade das relações institucionais.
Destaquei como, no contexto brasileiro, a diversidade regional e a interface constante entre setor público, privado e sociedade civil amplificam ruídos culturais. Mesmo com clareza técnica, questões como diferentes estilos de comunicação, formas de construir confiança e níveis de aversão à incerteza podem atrasar decisões estratégicas.
2. Webinar Quantum Criativo – “Por que travamos decisões, mesmo quando sabemos o que fazer?”
Ao lado de Alexandre Serrano e novamente com Maria Aparecida de Almeida Santos, o debate explorou os bloqueios decisórios de forma mais ampla, incluindo pressão emocional, vieses cognitivos, paralisia analítica e o papel da intuição.
Reforcei que, em ambientes multiculturais, a inteligência cultural é essencial para calibrar tanto a análise quanto a intuição. Exemplos como o longo processo do Acordo Mercosul-União Europeia e minha tese de doutorado sobre defesa de interesses dos produtores de tabaco ilustraram como diferenças culturais influenciam não apenas a velocidade, mas também a própria percepção do que é uma boa decisão. Assista no YouTube o Webinar.
Principais Lições dos Dois Webinars:
Ruídos Culturais são uma das principais causas de travamento decisório, mesmo com clareza técnica.
Alta aversão à incerteza frequentemente transforma análise em paralisia.
A intuição treinada pela inteligência cultural (Earley & Ang) é uma poderosa aliada quando equilibrada com dados.
A emoção é um fator invisível, mas decisivo: culturas afetivas e neutras lidam com ela de formas muito diferentes.
Em Relações Institucionais e Governamentais, mapear stakeholders e adaptar a comunicação ao contexto cultural é fundamental para o sucesso na defesa de interesses.
Conclusão:
Os dois webinars reforçaram uma ideia central da minha trajetória: em ambientes complexos e multiculturais, apenas o aspecto técnico não basta. É preciso combinar rigor analítico com inteligência cultural, autoconsciência e maturidade emocional.
Profissionais que desenvolvem essas competências conseguem reduzir ruídos, superar paralisias e transformar diversidade em vantagem competitiva, construindo decisões mais assertivas e relacionamentos mais duradouros.
O livro Tomada de Decisão em Contextos Complexos nasce exatamente dessa necessidade: oferecer ferramentas práticas para quem atua em ambientes desafiadores e dinâmicos.




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